EMBAIXADORES OS - JAMES
Os embaixadores pertence à fase tardia de Henry James, que dedicou a este romance um apreço especial. Por que essa preferência numa produção tão rica e vasta como a sua? São muitos os motivos, mas o principal parece ser a ambição de escrever o “romance perfeito”, onde a composição vale mais que a história e pode ser lida como um poema.
A trama é banal e envolve três personagens centrais: Lambert Strether quer se casar com Mrs. Newsome, viúva dominadora de Woolet, Nova Inglaterra; mas para que o encontro aconteça, ele tem que trazer de volta o filho da viúva, Chad, supostamente mergulhado na devassidão de Paris.
Acontece que Chad já está preparado para retornar e assumir suas obrigações em casa, o que torna a missão de Strether uma futilidade. É desse quiproquó que deriva o inesperado: quem se encanta com a Europa é justamente o “embaixador” Lambert Strether. Declarando-se livre, ele põe de lado suas pretensões matrimoniais. Em Aspectos do romance, E. M. Forster consideraria essa reviravolta um caso típico de “romance em ampulheta”.
Curiosamente, a narrativa é apresentada numa falsa primeira pessoa, pois existe aqui um narrador (ou o autor implícito), colado ou escondido ao lado da personagem central, que se vê objeto de uma dupla ilusão (ou falsa consciência): a que se encravara no provincianismo americano e acaba vidrada por Paris. Talvez por isso Os embaixadores seja um romance fora de série (“perfeito”), no qual a forma estética se encaixa no conteúdo social como a mão na luva.

